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Lixo marinho, o que você tem a ver com isso?
Data: 13/06/2009
Por: Luis Vitor Hilsdorf
 

Um tremendo dia de sol, mar de águas calmas e uma paisagem de tirar o fôlego. A bordo de um caiaque, você navega tranqüilamente com um grupo de amigos; os cenários vão se alternando entre costões rochosos, praias de areias brancas, águas cristalinas e vegetação exuberante. Parece até cenário de filme, não fossem os sacos e garrafas plásticas boiando ao seu redor, juntamente com outros tipos de detritos lançados impiedosamente no mar e transportados inocentemente pelas correntes.

Mas você e seus amigos fingem que está tudo bem e seguem o passeio; afinal, não foram vocês que fizeram toda aquela bagunça. Alguém produziu e jogou aquele lixo no mar, certamente deveria haver um responsável por aquela sujeira e, esperava-se, talvez, que alguém também fosse responsável pelo seu recolhimento. Será que esse pensamento é correto? É sempre mais fácil tentar responsabilizar alguém, nos isentando de qualquer ação diante dos fatos que se apresentam diante dos nossos olhos. É mais simples dar as costas e seguir em frente, mas e a sua consciência, como fica? E a fauna e flora marinha, os ecossistemas, o oceano e o planeta como é que ficam? E os seus filhos e netos, que tipo de mundo herdarão no futuro? Que tal começar a mudar de atitude hoje mesmo?

Comece retirando da água os sacos plásticos que estiverem na sua rota; você não precisa mergulhar e nem fazer um "pente fino" nas redondezas, basta pegar os sacos que estiverem ao alcance das mãos. Use um dos sacos para colocar os demais, amasse e drene a água do interior para diminuir o volume, acondicione tudo dentro ou fora do caiaque e, no final do passeio, é só dar o destino certo aos saquinhos: a lata do lixo!

Mas de onde vem todo esse lixo? Quais são as suas fontes geradoras? Como ocorre o processo de dispersão pelas correntes e ventos? Como responsabilizar e punir as fontes poluidoras? Como se pode mensurar e/ou monitorar o problema? Em 2009, na cidade de Santos/SP, foi criado um grupo de estudos por professores, alunos e profissionais ligados às ciências ambientais para discutir e ajudar a consolidar o Programa Brasileiro de Monitoramento do Lixo Marinho - PBMLM. O grupo concordou que a primeira etapa na realização do programa é diagnosticar o problema dos resíduos marinhos no Brasil e as iniciativas existentes para lidar com esse problema, assim como um levantamento das organizações e dos acadêmicos que vem estudando o problema na costa brasileira. Visto a abrangência desse trabalho e a falta de um material de consulta que englobe tais informações ficou decidido que esse diagnóstico deve ter como produto final a publicação de um livro impresso e digital. Tal livro será de grande importância para justificar a necessidade de se formar um Programa Brasileiro de Monitoramente de Lixo Marinho e para influenciar nas políticas públicas do país visando melhorar o atual cenário.

O grupo também concordou que outros materiais de caráter educativo e informativo poderiam ser produzidos paralelamente ao diagnóstico como um documentário, desenhos animados e jogos digitais para a divulgação e sensibilização da população quanto aos problemas causados pelo lixo no ambiente marinho. Também paralelamente ao diagnóstico, poderão ser realizados projetos pilotos de monitoramento de resíduos no ambiente marinho, seja em praias, a deriva em alto mar (offshore) ou submersos, lembrando que tais resíduos são capazes de transportar espécies invasoras de regiões diferentes ou mesmo interferir no comportamento de alguns animais seguindo rotas de navios e as grandes correntes oceânicas.

É importante salientar que qualquer tipo de ação direta sobre o lixo marinho, seja a simples coleta (remoção e destinação final) ou o monitoramento (remoção, identificação, catalogação e destinação final) estará focando apenas o efeito e não a causa do problema. A causa do problema (descarte de lixo no mar) está vinculada a falta de educação ambiental, falta de políticas públicas adequadas, falta de fiscalização e punição aos infratores, pois as Leis, Normas e Regulamentos já existem. Porém, as ações voltadas para a causa do problema requerem mais engajamento e tempo para serem implementadas (médio e longo prazo); já as ações direcionadas aos efeitos podem ser colocadas em prática a curtíssimo prazo.

Portanto, faça a sua parte e contribua para que as gerações futuras também possam continuar usufruindo os prazeres proporcionados pela natureza. Na sua próxima remada, retire da água pelo menos os sacos plásticos que encontrar pela frente. É uma atitude simples, mas de uma grandeza sem igual. Além dos seus filhos e netos, o planeta também irá agradecer!

 
Fonte: Projeto Lixo Marinho