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Osmose em cascos de fibra de vidro
Data: 20/02/2009
Por: Luis Vitor Hilsdorf
 

Se você não faltou naquela aula de Química do ensino médio, deve lembrar do conceito de osmose. De uma forma simplificada, poderíamos dizer que entre duas soluções de concentração diferentes e separadas por uma membrana semipermeável, a solução mais concentrada irá “chupar” a solução menos concentrada, até que seja atingido um equilíbrio entre ambas. A essa condição final chamamos de equilíbrio osmótico. Esta breve introdução é necessária para o entendimento de um problema muito comum em cascos de fibra de vidro, a osmose.


Para compreender como a osmose se manifesta nos barcos, é preciso ter uma pequena noção do processo de construção de um casco de fibra de vidro, seja ele de um simples caiaque, de uma lancha sofisticada ou de um veleiro de regata. A partir de um molde, o processo tem início com a aplicação de uma primeira camada chamada gel coat, onde são inseridos os pigmentos que dão cor ao barco, seguido então pela laminação propriamente dita, que é composta pela impregnação de várias camadas de fibra de vidro com resina. Embora imperceptível aos nossos olhos, o gel coat possui um pequeno grau de permeabilidade, que pode aumentar com o tempo e as condições de uso do casco. Em outras palavras, isso significa dizer que, cedo ou tarde, um casco de fibra de vidro poderá estar susceptível a penetração de água, com a conseqüente formação de bolhas no seu interior. Agora fica mais fácil entender que, através do processo de osmose, a água do exterior é “chupada” para dentro da fibra, acumulando-se sob a forma de bolhas.


Além do problema estético, as bolhas formadas por osmose podem reduzir a resistência de um casco, assim como também o seu desempenho. Esse tipo de problema pode se manifestar num espaço de tempo muito curto, ou pode levar anos para ser notado; tudo vai depender da qualidade dos materiais empregados e dos cuidados tomados durante a laminação. Um método preventivo para inibir a osmose em cascos de fibra de vidro é o emprego de uma camada de resina estervinílica na laminação, logo após o gel coat. Esse procedimento irá criar uma espécie de barreira isolante, que impedirá a passagem da água do exterior para as camadas subseqüentes de fibra de vidro. Cabe lembrar que a fibra de vidro tem propriedades hidrófilas, ou seja, tem afinidade com a água.


No caso dos caiaques, independentemente de se levar em consideração a qualidade da laminação, como medida preventiva à osmose, aconselhamos um cuidado maior com relação ao atrito do casco com as superfícies abrasivas (pisos em geral, areia, cascalho, pedra, etc). É muito comum ver as pessoas arrastando o barco pela areia da praia ou beira de rio, não tomando o devido cuidado no manuseio durante o transporte em automóveis e escolhendo locais inapropriados para a guarda do caiaque. Na medida do possível, procure evitar que a capa externa de gel coat seja desgastada desnecessariamente pelo atrito. Uma outra providência importante é não deixar água confinada dentro do caiaque. Depois do uso, procure lavar o barco com água doce, seque o interior na medida do possível e guarde com o casco voltado para cima, facilitando o escoamento da água. Agora relaxe e tenha boas remadas!

 
Fonte: Arawak