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Um passeio pelo estuário e porto de Santos
Data: 17/02/2009
Por: Luis Vitor Hilsdorf
 
Que tal embarcar no seu caiaque para explorar o estuário de Santos e aproveitar para conhecer o maior porto da América Latina? Partindo da Ponta da Praia, você irá se deparar logo com a Fortaleza da Barra Grande, seguida pela foz dos rios Icanhema, do Meio e Santo Amaro, pertencentes ao Guarujá, e que despejam as suas águas no canal de acesso ao porto. Se quiser ver de perto o ecossistema manguezal, entre num desses rios para ver as raízes aéreas (rizóros e pnematóforos), o substrato lodoso e a água mais turva, proveniente da mistura em suspensão de areia, argila e matéria orgânica. Com um pouco de sorte, você também poderá observar alguns caranguejos e aves aquáticas em seu habitat natural, tais como garças (brancas e azuis), socós, gaivotas, biguás e até espécies migratórias (maçaricos). 
 
Voltando ao canal do porto e seguindo caminho, tomando cuidado com o intenso movimento da travessia de balsas Santos – Guarujá, você irá encontrar os mais variados tipos de navios, de acordo com a sua finalidade ou tipo de carga, destacando-se os porta-contêineres, graneleiros, tanques, roll-on-roll-off, passageiros, de guerra, carga geral, rebocadores, etc. Vai poder observar de perto as escalas de calado e marca de borda livre, importantes para controlar os limites de capacidade de carga de cada embarcação. Ficará curioso com o abastecimento de combustível feito pelas barcaças atracadas ao lado dos navios. Surpreender-se-á com a quantidade de cabos utilizados na amarração dos navios ao cais e com a variedade de bandeiras coloridas içadas nos mastros. Com um pouco de sorte, você poderá presenciar as manobras de atracação ou desatracação dos navios com o auxílio de rebocadores e do hélice de proa. E ainda poderá ver de perto o bulbo, aquela estrutura proeminente localizada na proa e que fica submersa quando o navio está totalmente carregado, aumentando a sua performance e gerando economia de combustível em função de um fenômeno hidrodinâmico.
 
Agora, observe com mais atenção a estrutura física do Porto de Santos, construído há mais de 100 anos e com um movimento anual de mercadorias que gira em torno dos 70 milhões de toneladas. Depois da Lei de Modernização dos Portos, surgiram grandes terminais privados como a Dow Química – graneis líquidos; Cutrale e Cargill – graneis vegetais; Tefer – fertilizantes; Libra, Santos Brasil, Rodrimar e Tecondi – contêineres; Teaçu e Teag – acúcar; Votorantim – papeis e celulose; Concais – passageiros; etc.
 
Repare agora nos vários tipos de guindastes e suas forças motrizes, sendo alguns movidos por energia elétrica de alta tensão e outros por combustíveis fósseis como o óleo diesel. Você poderá identificar os gigantescos porteiners, que se movem sobre trilhos ao longo do cais; os transteiners, de porte intermediário (trilhos ou pneus), os reach stackers, de menor porte e grande mobilidade sobre pneus. Todas essas máquinas são utilizadas na movimentação dos contêineres (caixas metálicas de 6 e 12 metros) dentro dos terminais e no costado dos navios. Repare também nas esteiras rolantes (dalas) utilizadas na movimentação de grãos, nas garras metálicas (grabs) empregadas para descarregar granéis sólidos de dentro dos porões dos navios e os mecanismos utilizados para embarcar cargas ensacadas (shiploaders).   
 
Mudando de foco, nas imediações de Vicente de Carvalho, tente localizar a bóia de sinalização pintada de preto e amarelo, ela nos indica águas seguras no quadrante Oeste, isto em função da presença dos restos do navio “Ais Giorge”, incendiado e naufragado na década de 70 no porto. Observe as ruínas do antigo Forte do Itapema, agora ocupado por uma guarnição da Polícia Federal e, logo em seguida, o pontilhão ferroviário e a entrada do Canal de Bertioga. Mais a frente você poderá visualizar os grandes tanques de armazenagem do terminal de graneis líquidos instalado na Ilha Barnabé. Que tal fazer o retorno agora e começar a fazer o caminho de volta?
 
Repare nas embarcações que fazem a dragagem do canal do porto, com seus braços mecânicos mergulhados na água para remover as camadas de sedimentos depositadas no fundo do canal de navegação, depositando-as nas barcaças lameiras, para posterior descarte em área apropriada. Esses equipamentos são utilizados para a manutenção de uma profundidade adequada e segura para os navios. Aproveite para observar também o Monte Serrat, com os seus bondinhos funiculares indo e vindo pelo paredão do morro; o prédio da Alfândega e a torre da Bolsa do Café. Logo mais você estará passando ao lado de uma bóia verde – dispositivo utilizado para a sinalização náutica e que delimita o canal de navegação. Curiosamente, essa bóia foi instalada num local conhecido como Pedra de Teffé, uma grande rocha que causa problemas para a atracação dos navios de passageiro de grande calado no Porto de Santos.
 
Depois de passar por dezenas de navios, os mais variados tipos de terminais, prédios históricos e demais curiosidades associadas ao porto, você estará chegando de volta ao seu ponto de partida, cobrindo uma distância de aproximadamente 10 Milhas Náuticas (18,5 Km). Que tal pôr em prática o roteiro sugerido? Cabe informar que os pontos de referência informados neste texto tomaram como base um circuito partindo do bairro da Ponta da Praia, em Santos, seguindo em direção ao canal do estuário pela margem esquerda e retornando ao ponto de partida pela margem direita. O referencial esquerda e direita está associado ao sentido do fluxo principal das águas, que correm de montante para jusante, ou em outras palavras, da montanha para o mar. Não esqueça de levar água suficiente para beber durante o trajeto, barrinhas de cereais para repor as energias, protetor solar e boné. Para não ter nenhum problema com a Capitania dos Portos, que patrulha constantemente essa área, mantenha-se sempre vestido com o seu colete flutuador. 
 
Fonte: Arawak