O ponto de partida para o planejamento de qualquer viagem é o objetivo a ser atingido, ou seja, a meta inicialmente imaginada individualmente ou pelo grupo de canoístas. Depois, munido com um ou vários mapas, vem a escolha do local de partida e de chegada, a distância a ser percorrida, a disponibilidade de tempo para percorrê-la, pontos de apoio durante o percurso e locais interessantes para serem explorados. Além disso, deve-se considerar se haverá auto-suficiência ou apoio por terra, um programa livre de compromissos ou custeado por patrocinadores.
Após o estudo inicial, a atenção deve estar voltada para o ritmo de viagem que queremos ter. Como o tempo livre é escasso para a maioria das pessoas, devemos levar em consideração alguns dados numéricos. Num bom dia de remada, pode-se percorrer sem muito esforço, uma média de 20 Milhas Náuticas (aprox. 37 km); dessa forma, você cobrirá uma boa parcela do seu itinerário sem cansar demasiadamente o corpo, que deverá estar pronto no dia seguinte, para mais uma etapa da viagem. É possível cobrir essas 20 Milhas Náuticas em aproximadamente 7 horas, considerando uma velocidade de remada de 3 Nós (Milhas Náuticas p/hora). Alguns fatores irão influenciar na velocidade de remada: o tipo de barco, o condicionamento físico, a habilidade do canoísta e a proposta da viagem (turismo, expedição, estabelecer marcas, etc.). Outros fatores como a direção e velocidade do vento, correntes de superfície e correntes de maré, irão influenciar na velocidade de viagem e não na velocidade de remada.
Na fase de planejamento de uma expedição ao longo do litoral, a melhor forma de escolher os pontos para descanso ou de pernoite é através da consulta de Cartas Náuticas. Nelas, você encontrará informações como o perfil costeiro, as profundidades, tipos de fundo (areia, lodo, cascalho, seixos, etc.), direção e velocidade das correntes, áreas de arrebentação das ondas, indicações sobre parcéis e pedras que cobrem e descobrem conforme a maré, além de muitas outras informações. Com uma rápida olhada é possível identificar se uma faixa costeira é escarpada ou de baixo perfil, rochosa ou arenosa, se possui dunas ou um manguezal, se é contínua ou recortada. Com essas informações, você poderá escolher com bastante segurança as áreas para o desembarque.
O foco agora é escolher o equipamento necessário à realização da sua viagem, levando em consideração o local a ser percorrido e o clima para o período. O Brasil é um país de dimensões continentais e enquanto faz calor em Pernambuco, está um frio de rachar em Santa Catarina; o que é comum se encontrar num local, pode ser difícil de conseguir em outro. Dessa forma, dependendo da região escolhida e das possibilidades climáticas a serem encontradas, prepare-se adequadamente para levar o estritamente necessário no que se refere ao vestuário, não deixando faltar um bom abrigo impermeável e atente para alguns itens sobressalentes difíceis de serem conseguidos em qualquer lugar. Para organizar seus equipamentos sem risco de esquecer algum item, oriente-se por uma listagem.
Normalmente, para as viagens costeiras, é possível contar com bares e restaurantes ao longo do litoral para se fazer uma boa refeição; porém, a possibilidade de ter que preparar o próprio alimento pode existir, se você estiver pensando em navegar por lugares mais remotos. Hoje em dia, existem refeições saborosas devidamente embaladas e liofilizadas, bastando adicionar água quente para se ter um bom prato e recompor as energias. Você vai precisar levar um fogareiro de camping com recarga suficiente para o tempo da viagem. Não esqueça de incluir alimentos leves e energéticos (barras de cereais, frutas secas, sucos, etc.) para serem consumidos a bordo, durante o percurso.
Como qualquer atividade física, a canoagem requer algum condicionamento físico. É impossível lançar-se numa aventura de 40 Milhas, sem antes estar adaptado à postura dentro do caiaque e com a musculatura preparada para agüentar a viagem. Primeiro é preciso saber andar para depois poder correr. Assim, procure adquirir gradualmente a resistência física necessária para concluir a sua meta. Comece seu dia de remo aquecendo e alongando suavemente a musculatura superior, dando ênfase para os braços e ombros, depois trabalhe a região dorsal e abdominal; para completar, alongue também as pernas. Habitue-se a executar esse “ritual” antes das remadas, pois não há nada pior para o corpo do que sair do repouso absoluto e entrar no esforço desmedido.
Não esqueça de levar dinheiro para situações não previstas, além de documentos pessoais (xérox autenticadas) para se identificar se for preciso. Talvez você tenha que se hospedar num hotel, retornar em outro meio de transporte ou até repor algum equipamento perdido. Dentro do seu roteiro, lembre-se de viabilizar o encontro do grupo com o apoio por terra, se houver esta intenção, verificando se existem estradas de acesso aos pontos previstos para contato. Leve alguns itens sobressalentes, principalmente um segundo remo (desmontável) e um pequeno kit de reparo para consertos em fibra de vidro. Atente para que não haja excesso de equipamentos, pois alguns itens são de uso coletivo. Caso você ainda esteja no mar após escurecer, use uma lanterna exibindo luz branca para assinalar a sua presença, dando tempo suficiente para outras embarcações evitarem uma colisão.
Para saber mais sobre o planejamento de expedições a remo, consulte o "Manual do Canoísta de Fim de Semana" ou a apostila "Canoagem Oceânica – Planejamento de Expedições", disponíveis para venda neste site.