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Tartarugas, plásticos e canoístas
Data: 17/06/2008
Por: Luis Vitor Hilsdorf
 

Diante das muitas fábulas e parábolas do mundo moderno, você já deve ter ouvido aquela do beija-flor que tentava apagar o incêndio na floresta levando água no minúsculo bico. Indagado sobre a inutilidade daquela ação, o pássaro respondeu que mesmo sabendo que não iria conseguir apagar o fogo, estava fazendo a sua parte. 

Essa historia pode ser aplicada em muitas ações do nosso dia-a-dia, seja no trabalho ou nas horas de lazer, basta fazermos a nossa parte. A introdução serve de gancho para um movimento de cidadania e conscientização voltado para o nosso ambiente aquático. Não importa em que lugar você pratica a canoagem (rio, lago, represa ou mar), mas a partir de agora, comece a retirar o lixo que aparece boiando ao seu redor, principalmente os plásticos; você não vai conseguir acabar com o problema, mas estará fazendo a sua parte. Pense nisso, divulgue a idéia para os seus amigos e pratique sempre que puder.

Comece retirando da água os sacos plásticos que estiverem na sua rota; você não precisa mergulhar e nem fazer um "pente fino" nas redondezas, basta pegar os sacos que estiverem ao alcance das mãos. Use um dos sacos para colocar os demais, amasse e drene a água do interior para diminuir o volume, acondicione tudo dentro ou fora do caiaque e, no final do passeio, é só dar o destino certo aos saquinhos: a lata do lixo! 

Mas, e as tartarugas, onde é que elas entram nessa história? Você sabia que ao longo da costa brasileira existem cinco tipos de tartarugas marinhas? São elas a tartaruga de Couro, a Verde, de Pente, Oliva e Cabeçuda. Sabia também que todas elas sobem nas praias para desovar? Claro que a maioria das praias escolhidas para a postura dos ovos são pouco freqüentadas e, normalmente, são fiscalizadas por agentes do IBAMA ou do Projeto TAMAR (Tartarugas Marinhas).

Mas talvez o que você ainda não saiba é que parte da dieta dessas tartarugas é composta por águas-vivas (celenterados), que se assemelham muito com os sacos plásticos à deriva no mar, sendo este lixo do mundo moderno frequentemente confundido e ingerido como se fosse alimento, causando posteriormente a morte desses animais. 

Sabendo disso, faça a sua parte e contribua para que as gerações futuras também possam ter encontros com as tartarugas marinhas. Na sua próxima remada, retire do mar os sacos plásticos que encontrar pela frente. O oceano e as tartarugas agradecem, além de seus filhos e netos! 

 
Fonte: Boletim Informativo No. 30 - Nov/2007