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Águas Brancas
Data: 10/06/2008
Por: Luis Vitor Hilsdorf
 

A combinação da água em movimento, chocando-se contra os obstáculos de um rio e a conseqüente geração de ondas, cria um padrão que irá indicar para um remador experiente o caminho mais livre e seguro a ser seguido nos rios com corredeiras. É importante reconhecer os padrões básicos de um rio, além de entender e respeitar a força de suas águas. A chave para uma boa remada em rios com corredeiras (águas brancas) é deixar as forças da natureza trabalharem a nosso favor.

Basicamente, quando um rio é profundo e largo, a corrente (fluxo) será lenta; quando o mesmo rio se estreita e torna-se raso, a corrente irá aumentar a velocidade para dar vazão ao mesmo volume de água. Um desnível (degrau) no leito do rio também irá criar um aumento na velocidade da corrente; um desnível abrupto causará uma queda d’água, enquanto que um desnível suave e gradual irá gerar corredeiras. A corrente não é constante ao longo do rio. A água flui rápida na superfície e no meio do rio, enquanto o atrito (fricção) diminui sua velocidade junto ao fundo e próximo das margens. 

Alguns rios fluem permanentemente e são ditos perenes, outros fluem sazonalmente e são conhecidos como intermitentes. Os rios podem ainda transportar diferentes quantidades de água num determinado intervalo de tempo; esta capacidade é conhecida como vazão, ou seja, o volume de água que flui por minuto ou por segundo. Essa vazão também é variável e pode ir de um valor mínimo na época da estiagem a um valor máximo na estação das chuvas. É por isso que a prática da Canoagem de Águas Brancas está vinculada a certos períodos do ano.

Quando navegar por rios e os mesmos não estiverem cartografados em Cartas produzidas pela Diretoria de Hidrografia e Navegação (D.H.N.), ou se houver dificuldade para conseguí-las, procure no Instituto Geográfico e Cartográfico da sua região pelas folhas planimétricas do seu interesse, as quais normalmente apresentam-se em escalas de 1:10.000 ou 1:50.000.

O Sistema Internacional, embora discutível, classifica os rios (seções) em 6 níveis de dificuldade. A seção de um rio pode ser classificada num nível 1 no período de estiagem e receber uma classificação 3 no período das grandes chuvas. Podem haver também seções do mesmo rio indexadas, exemplo: um rio de nível 2, que apresenta num determinado ponto uma corredeira de nível 3 apareceria com a indicação 2.3

NIVEL 1 - FÁCIL: O rio flui normalmente, apresentando pequenos banco de areia e algumas pedras espalhadas pelo caminho.

NÍVEL 2 - MODERADO: O rio apresenta algumas obstruções; pequenos refluxos e pequenas quedas. Existem lugares onde a corrente pode acelerar.

NÍVEL 3 - DIFÍCIL: A melhor rota ainda pode ser vista pelo canoísta, embora as ondas sejam altas e irregulares. Numerosas obstruções e a presença de grandes pedras arredondadas pela erosão das águas. Refluxos e pequenos redemoinhos.

NÍVEL 4 - MUITO DIFÍCIL: Dificuldade para visualizar a rota a ser seguida. Deve ser inspecionado antes de se iniciar a descida. As corredeiras são contínuas e a força da água é grande, causando refluxos muito fortes. O canoísta deve manobrar continuamente.

NÍVEL 5 - EXTREMAMENTE DIFÍCIL: A inspeção do percurso é essencial por oferecer sérios riscos. A remada é difícil em meio a grandes quedas, estreitas passagens, complexas áreas de pedregulhos e “buracos”

NÍVEL 6 - MUITO PERIGOSO: Todos os perigos das águas brancas juntos até o último grau; o nível da água pode ser muito crítico em alguns trechos (difícil para ser remado). Um erro pode ser fatal. O canoísta deverá ter consciência do risco que estará correndo.

 
Fonte: Manual do Canoísta