Como a maior parte do Brasil está submetida aos climas Equatorial e Tropical, com temperaturas quentes a maior parte do ano em mais de 70% do território nacional, um fator muito negligenciado pelos canoístas e demais praticantes de esportes aquáticos está relacionado com o frio, ou seja, com os problemas fisiológicos produzidos pela perda de calor corporal. Diante disso, boa parte desses esportistas costuma subestimar os efeitos que as baixas temperaturas podem provocar no organismo, deixando de tomar as medidas profiláticas necessárias para evitar a hipotermia.
Quando um corpo perde mais calor do que pode produzir, resultando no resfriamento de sua temperatura interna, estamos diante de um quadro de hipotermia. Ela pode ocorrer em temperaturas acima ou abaixo do congelamento. A hipotermia não é causada somente pela exposição ao ar livre, mas também pode ocorrer como resultado da exposição do corpo a temperaturas frias em ambientes fechados. Existem dois tipos de hipotermia e para cada uma existe um tipo de tratamento:
1) Suave - temperatura corporal acima de 32oC - Sintomas: tremedeira, pronúncia incompreensível, lapsos de memória, mãos descoordenadas, andar cambaleante e tropeções. As vítimas geralmente estão conscientes e podem conversar, queixando-se de frio nas costas e abdome.
Tratamento: Previna maiores perdas de calor removendo a vítima da água, chuva ou vento, substitua as roupas molhadas por secas, dê alimentos energéticos e líquidos quentes, induzindo-a ao movimento.
2) Profunda – temperatura corporal abaixo de 32oC - Sintomas: não há tremedeira, os músculos podem se tornar duros e rígidos, similar ao “rigor mortis”, a pele tem uma aparência azul e não responde à dor, a pulsação e respiração diminuem e as pupilas se dilatam. A vítima parece estar morta. Entre 50% a 80% das vítimas de hipotermia profunda morrem.
Tratamento: Trate rapidamente a vítima, movimentando-a o mínimo possível, não dê alimentos e nem líquidos, evite o máximo a perda de calor e procure socorro médico o mais rápido possível.